Wednesday, February 20, 2008

Sangue Negro - Crítica


Pense num filme formidável, pensou? Este é um. Entrou direto na minha lista dos tops onde está Lawrence da Arábia.

Mas existe uma questão a ser dita, é um filme para quem realmente vê filmes e não para os que apenas se distraem através de filmes. Não existe um pingo de romantismo na história do prospector (explorador de petroleo) interpretado por Daniel Day-Lewis.

O filme narra a história deste homem que tem muito em comum com o petróleo e sua simbologia como um transformador da sociedade e economia americana. É a fôrma dos homens que fizeram a américa da era das máquinas. Lembrou em alguns aspectos Howard Hugues, o homem da aviação, só que num nível mais cru e seco, como o chão desértico de onde brota o ouro negro.

A trilha sonora, a sonoplastia do filme dão o tom desta narrativa aludindo às máquinas que este sangue negro irá prover. Todo o tempo do filme é cadenciado pelas situações em que personagens entram como simbolos (tipos) que vai desde a ideologia da ganancia que cerca cada olhar às centenas de idéias atreladas ao que significa este flluido escuro, meio infernal que jorra da terra quase como algo demoníaco despertando. Este "algo" irá atropelar tudo o mais com a violência e secura de uma máquina similar às grandes corporações que esmigalham tudo que lhes é contrário até a extinção, tendo como encarnação disto o personagem principal Mr Plainview.

"There will be blood" é o título original e vem como um aviso da erupção que sangrará do chão, das sensações que eclodem brutais e mal formuladas verbalmente mas muito bem explícitas pelas imagens, ritmos de tensão e interpretações dos atores que fizeram muito bonito.

A meu ver um filme como não se vê faz muito tempo. Salvas ao diretor de Magnólia, Paul Thomas Anderson que fez escola com seus trabalhos anteriores e soube realizar neste filme uma abordagem simbólica belíssima e cheia de significados do que foi e é, a natureza do progresso com as máquinas abastecidas deste sangue de uma terra seca e dura, uma natureza opressora e atropeladora.

No oscar concorre aos troféus de:

Melhor filme
Diretor
Ator
Direção de arte
Fotografia
Edição
Edição de som
Roteiro adaptado

Totalizando 8 indicações

Se vai ganhar tudo eu não faço idéia, mas merece pelo menos uns 5.

Obs: Daniel Day-Lewis já levou o globo de ouro de melhor ator pelo filme.

6 comments:

Alexandre Freitas said...

Bem,

na promoção de filmes do Yahoo pra ganhar 1 ano de cinema gratis, eu botei este filme ganhando oscar de melhor filme pelo menos.

Realmente é um filme muito bem feito e dirigido.

Beijins

San said...

É, esse tou enrolando de ir assistir, assim como o "no country for old men" . acho que essa semana me acerto..

Beijão

Kovacs said...

Eu e Fabiane gostamos da postagem. Aqui no Rio de Janeiro vivemos todos às custas da indústria Offshore do petróleo. Veremos o filme com certeza.

Nadadeordinário said...
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Alex said...

Bem, fiquei curioso de ver o filme e, embora a autora deixe claros os motivos pessoais pelos quais escolheu este e não outros filmes para se debruçar e escrever sobre, tenho um texto que não subestima a minha inteligência e me deixa à vontade para conferir se o objeto do texto está à altura das coisas que o bom texto diz desse objeto, o filme. Vou ver e depois lhe digo.

Bem, como não tenho o seu e-mail, resolvi deixar aqui mesmo a referência do livro sobre atividades de leitura. Seria bom que você e seus colegas fizessem na biblioteca da UNIME uma solicitação da aquisição não só deste livro, mas de toda a coleção da SBS, que é muito interessante e útil para professores (atuais e futuros, experientes ou não) de língua materna e estrangeira.

FARRELL, Thomas S. C. "Planejamento de Atividades de Leitura para Aulas de Idioma." trad. de Itana Summers Medrado. São Paulo: SBS, 2003. (Coleção Portfolio SBS: reflexões sobre o ensino d eidiomas; 6) 79 p.

Um abraço,

Alex

Alex said...

Querida,

Continuo sem o seu e-mail. Se tiver um tempinho, veja uma nova experiência de uso de blog entre estudantes de PLE.

http://gringostagarelas.blogspot.com/

Um abraço,

Alex